Gleyce Fortaleza desmistifica a toxina botulínica

Apesar da popularidade dos procedimentos envolvendo a toxina botulínica, são várias as dúvidas que tanto mulheres quanto homens ainda carregam. Com que idade começar? O efeito é reversível? De quanto em quanto tempo é preciso fazer?

Para solucionar essas dúvidas e ainda falar mais sobre outras funções da substância além do efeito anti-rugas, entrevistamos a dermatologista Gleyce Fortaleza. Confira.

Gleyce Fortaleza em seu consultório no Recife – por Bruno Lima, 2017.

Gleyce Fortaleza em seu consultório no Recife – por Bruno Lima, 2017.

Algumas pessoas tem uma resistência em passar pelo procedimento de aplicação da toxina botulínica, com receio de um resultado artificial. O que você costuma dizer para desmistificar esse medo? Quanto tempo o produto dura na pele? O efeito é reversível?

“Primeiramente, é importante explicar o que esse procedimento faz. A toxina botulínica é aplicada com intuito de relaxar a musculatura. Quando este produto começou a ser usado, em suas primeiras aplicações, os pacientes realmente ficavam com a face muito paralisada, resultando num aspecto plastificado. Mas, com a evolução da técnica e os novos padrões de beleza, a tendência hoje é deixar o paciente natural. As novas formas de aplicação fazem com que a musculatura relaxe, sem a perda da expressão e características do paciente. O médico tem o controle sobre o efeito, e se houver apreensão, podemos fazer algo extremamente leve e reaplicar dependendo da necessidade.

A duração do resultado do procedimento é muito variável, podendo agir entre 4 a 6 meses. Isso varia conforme várias situações. Normalmente nos homens, a toxina dura um pouco menos por conta da massa muscular. É o mesmo que acontece em pacientes atletas, que praticam musculação intensa, a tendência é durar um pouco menos. Isso acontece porque a aplicação da toxina paralisa a musculatura, e se o paciente tem uma massa muscular grande e pratica muita atividade física, isso realmente favorece para que o resultado dure um pouco menos. A orientação geral é que sejam feitas duas aplicações ao ano.

O efeito da toxina é completamente reversível, sem efeito residual. O paciente volta à condição basal e a pele, a ser como antes. Muitas vezes, isso demora um pouco mais do que os 6 meses. Isso acontece porque como o músculo passou muito tempo sem se movimentar, ele acaba diminuindo a sua massa muscular. É como se você fosse um atleta que fizesse muita musculação nas pernas e, de repente, parasse de malhar durante 6 meses. Quando você retornar, você não vai ter aquela força que tinha antes, mas com o tempo, gradativamente, isso vai voltando ao normal.”
 

O procedimento de aplicação pode ser feito com caráter preventivo?

“Essa questão da aplicação preventiva faz todo sentido. Eu sempre explico que a pele é como um pedaço de papel e a musculatura é a força que dobra esse papel. Se deixamos para aplicar a toxina botulínica depois que o papel está dobrado, que é o que acontece quando os pacientes começam a aplicar a partir dos 50, 60 anos, aquela pele já tem muitas marcas que não saem mais quando o papel desdobra. Ou seja, são as rugas que mesmo quando o paciente relaxa, as marcas permanecem na pele. Quando essas aplicações começam em torno dos 30, o paciente ainda não teve tempo de criar marcas definitivas. Então o uso regular da toxina desde uma idade mais precoce vai resultar num envelhecimento mais suave.”
 

A toxina botulínica serve apenas para congelar as rugas ou tem outras funcionalidades?

“A toxina botulínica pode ser aplicada com várias funções diferentes. O uso estético para tratamento de rugas é apenas um deles. A toxina pode ser aplicada na dermatologia para tratamento de hiperhidrose, que são aquelas pessoas que tem um volume excessivo de suor, algo comum de acontecer nas axilas, nos pés e nas mãos. Nesses casos a toxina ajuda bloqueando a enervação da glândula sudorípara, então, o paciente deixa de suar na área tratada. Outro procedimento é a aplicação no couro cabeludo para as pessoas que suam demais quando praticam exercício físico ou mesmo espontaneamente. Fora da dermatologia, existem vários outros ramos no qual a toxina está sendo utilizada, por exemplo, pela neurologia no tratamento de enxaquecas e distúrbios nervosos.”

Pele Dermatologia